quinta-feira, 13 de maio de 2010

Ser Ou Não Ser Ateu, Eis A Questão.

Hoje, vindo do trabalho com uma colega, que é estudante de Biologia, me deparei com a típica contradição dos jovens estudantes de ciências: a necessidade de autoafirmação ideológica contra a fé interior. Minha jovem coleguinha me contou que durante a infância era obrigada a frequentar o catecismo, coisa que não gostava. Quando cresceu, mandou a Santa Sé às favas. Hoje, inserida no meio científico, sente-se obrigada a estar de cócoras com os sapos ateus da universidade, mas pressente que Deus existe. Isso mesmo: ela sente que Deus existe, mas ao mesmo tempo rechaça a idéia da existência do espírito. E eu pra colocar mais dúvida na cabeça dela, num assumido gesto sádico, perguntei se então ela cria que Deus é material. Ela gaguejou. Respondeu que não. Mas também não sabia de que era feito Deus. Ao mesmo tempo em que flerta com o poder sedutor da teoria ateísta, por sua lógica contundente, ainda sente-se arraigada a uma idéia que lhe parece a cada dia mais obscura: o preconceito da existência de Deus. Preconceito sim, porque se Deus não tem explicação lógica para ela, se não faz parte de sua motivação de vida, e se eventualmente se sente incapaz de se desamarrar definitivamente dessa idéia para cair nos braços cômodos e vazios do ateísmo, o faz então por puro preconceito.

Será que estou sendo preconceituoso para com ela? Não sei... Só sei que Deus existe, e tenho uma paciência lânguida com os pobres e atormentados ateus, pois certamente passarão essa existência experimentando o vazio em suas almas, a não ser que deixem o coração aberto à possibilidade de serem tocados pela divina centelha.

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