terça-feira, 19 de outubro de 2010

Testando o Blogpress 2.0.5


Nem sei se vou deixar esse post quando eu voltar pro computador. Só tô, na verdade, testando meu novo widget de blogar. Depois eu vejo no que deu essa bagunça.



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segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Conto: "Incógnito"

Desde o momento em que entrei pra faculdade, minha vida mudou dramaticamente. Se há uma pessoa que pode-se dizer satisfeita com o ingresso na vida universitária, essa pessoa sou eu. O primeiro semestre universitário é uma experiência inesquecível e definitiva na vida de quem já passou por isso. Novas amizades, novas conversas, um novo nível de aspirações futuras. É fase de encantamento, que aliada à pujança de nossas gônadas, que explodem em rajadas hormonais incessantes, nos deixam à flor da pele. Naquele primeiro semestre, eu cumpria minha carga horária de Educação Física, que na época ainda era matéria obrigatória para todos. Era chato. Principalmente porque me fazia andar com mais peso na valise, que já era abarrotada de coisas. Mas tinha o lado bom: o vestiário masculino. Não tinha como ignorar aqueles minutos eternos que eu passava na troca de roupa e no banho. Diferente dos vestiários de colégios, onde adolescentes exibem seus corpos em formação, o chuveiro de um vestiário masculino universitário é frequentado por homens de verdade. Um deles me atraía em especial.
Leonardo era dono de um corpo tão belo, que me dava calafrios só de olhar. Alto, corpulento, pele branca forrada com uma pelagem fina, levemente ondulada, que cobria num lindo desenho o tórax, descendo em linha pelo abdome, preenchendo generosamente púbis e glúteos. Por fim, coxas grossas e pernas opulentas cobertas pelo mesma felpa macia que se via da cintura pra cima. O mais interessante era saber que o Léo era um ocioso. Desses que adoram passar horas à frente do computador. Todo o seu patrimônio parecia ser obra apenas da genética. Mesmo sendo dono de um apetite voraz, seus músculos consumiam todo aquele absurdo calórico ingerido diariamente, não sobrando muita matéria prima a ser transformada em gordura. O resultado era um corpo praticamente enxuto, apenas com os contornos dos músculos atenuados, dando uma silhueta muscular macia, mas ainda firme. Além dos atributos físicos, ainda tinha algo intrigante nele: ele era um fofo. Desses que dá vontade de carregar no colo. Desses que quando fala com a gente, com feições sorridentes, nos aquece ao ponto de derretermos. Desses que um simples olhar pidão nos faz atender a qualquer vontade sua, nos deixando completamente à sua mercê.
Por isso mesmo, logo de início eu pensei que se tratava de manha pra conseguir a boa vontade das pessoas. Mas logo ao conhecê-lo melhor pude entender que aquele era o Léo mesmo. Ele era daquele jeito: um fofo. Um piadista, boa praça, bem humorado, atrapalhado, aloprado como só um homem daquele tamanho consegue ser. Por outro lado, era o amigo das piores horas. Quem nunca chorou naquele ombro quando foi preciso? Ninguém dava colo como ele. Homens e mulheres se curvavam à sua simpatia, e eu não estou até agora descrevendo um deus. Ele era apenas um rapaz simpático e bonito. Pros outros, não pra mim. Até porque comigo a amizade era mais próxima. Não desgrudávamos um minuto sequer um do outro, exceto na educação física: eu fazia natação e ele fazia caminhada. Bem que tentei convencê-lo a fazer natação comigo, mas ele era um preguiçoso. Mas mesmo acabando sua atividade primeiro, ele sempre ia pra piscina me esperar terminar de nadar pra tomarmos banho e voltarmos pra aula. E era um exercício de autocontrole não ter uma ereção olhando seu corpo nu sendo cuidadosamente ensaboado embaixo do chuveiro. Foram muitas as vezes em que cheguei em casa louco de vontade de me masturbar pra extravasar a tensão acumulada o dia inteiro. Eu comprara um frasco pequeno do mesmo Polo Sport que ele usava, só pra cheirar enquanto me masturbava. Cheguei a furtar uma cueca usada sua, enquanto ele se dirigia para o chuveiro. Não preciso dizer o que fazia com a cueca na solidão do meu quarto.
As coisas pioravam muito quando ele ia à minha casa para estudarmos. Tê-lo em casa era a coisa mais gratificante que podia me acontecer durante a semana. Quando fui aprovado no vestibular, meus pais imediatamente compraram e mobiliaram um apartamento próximo à universidade e deixaram à minha disposição, para que não tivesse que enfrentar o trânsito caótico da cidade em que moramos. Isso me poupava tempo e me dava uma gostosa liberdade, da qual compartilhava prazerosamente quando tinha o Léo em casa. Como eu dispunha de dois quartos mobiliados, ele sempre dormia lá. Na verdade, tinha tempos em que ele passava a semana mais comigo do que com os próprios pais. A desculpa sempre era a proximidade da faculdade. A verdade era que minha casa era um playcenter pra ele, com computador, internet banda larga, e etc. Era bom tê-lo por perto. Mas me fazia sofrer também. Algumas coisas no comportamento dele me faziam ficar louco de tanta dúvida. Ele gostava muito de contato físico, de me pegar, me palpar... Às vezes conversando, o assunto acabava e ele continuava me olhando fixamente. Eu não conseguia manter o contato visual naquela intensidade e sempre desviava o olhar. E foram muitas as vezes que percebi ele sorrir levemente quando eu fazia isso. Pra mim, eu estava enxergando cabelo em ovo. Apesar de haver o outro quarto, ele acabava dormindo no meu. Tirava o colchão da cama do quarto de hóspedes e o colocava no chão ao lado da minha cama. E conversávamos até sermos vencidos pelo sono. De certo que a tensão de tê-lo tão perto e tão indefeso ao meu lado me fazia acordar no meio da noite. Qual não era meu prazer em ver algo pulsar ereto entre suas pernas erguendo o lençol que o cobria. Por vezes ele dormia de short, por vezes de cueca. E era um vício sem cura olhá-lo durante o sono. Eram noites difíceis.
As coisas mudaram numa tarde de final de semana, em que a curiosidade do Léo determinou o curso dos acontecimentos. Eu tenho um bauzinho de madeira do tamanho de um palmo, onde guardo minhas “coisinhas secretas”. Ali estava a cueca do bonitão, uma foto dele de sunga num passeio que fizemos à praia um dia, entre outras coisas de menor interesse. Eu sempre o escondia da vista das pessoas, justamente porque atraía facilmente a curiosidade alheia. E foi justamente isso que ocorreu com o Leonardo naquela tarde, quando procurava um DVD no meu quarto e se deparou com o baú dentro de um dos compartimentos da minha estante. Na mesma hora em que ele retirou o baú fazendo menção de abri-lo, eu me lancei sobre ele pra tomá-lo de sua mão. Ele se esquivou, mais uma vez tentando abrir minha “caixa de pandora”. E naquele afã frenético por tomar o objeto de suas mãos, e dele de tentar desviar dos meus ataques, caímos sobre minha cama. Ele deitado de costas sobre o colchão e eu esparramado sobre o corpo dele, com nossos braços sacudindo pra lá e pra cá, numa dança de gato e rato. Ele ria de deleite do meu desespero. Meu coração só faltava fraturar as costelas de tão forte de batia. Eu estava apavorado com a possibilidade dele abrir o baú e flagrar sua cueca furtada ali dentro. O que eu iria argumentar pra explicar aquilo?! E a cada tentativa de tomá-lo de suas mãos, eu me cansava e perdia forças. Não tinha como competir com aqueles braços... Eu já estava desistindo, desolado, quando me dei conta do quão próximos nossos rostos estavam um do outro. Eu olhei docemente nos seus olhos negros, de desenho rasgado típico de sua ascendência síria, e falei carinhosamente:
- Ô, Léo, me devolva meu baú, vai... Por favor... Tô te pedindo como seu amigo. - Eu estava a ponto de chorar de tristeza antecipada com o que poderia acontecer se o conteúdo fosse revelado.
Rindo ele estava, sério ele ficou. Seu rosto afilado, coberto com uma delicada camada de barba por fazer, assumiu um aspecto sereno, me olhando com um misto de compreensão e carinho. Ele sutilmente colocou o baú no criado mudo próximo à sua mão direita, e não mais se mexeu. Me olhava fixamente. Eu olhei rapidamente para o baú, que repousava seguro e inviolado sobre o móvel ao nosso lado, voltando meus olhos então pra seu rosto, estampando pura gratidão. Apesar do clima tenso entre nós, que estávamos com nossos corpos sem camisa colados um sobre o outro, não esboçávamos mal-estar. Estranhamente, aquela posição confortável que assumimos durante a “luta” não mudou. E ali fiquei, deitado sobre ele, sentindo o cheiro do seu perfume - ou do seu desodorante - e olhando nos olhos profundos que brilhavam como duas turmalinas naquele rosto bem esculpido. Até hoje não sei que coragem eu tive, mas foi coragem bastante pra tocar seus lábios com os meus. Seus braços, antes esparramados sobre a cama, rapidamente me envolveram num abraço forte, de homem. Sua boca, antes imóvel e passiva, agora queria devorar a minha, penetrando-me com uma língua sôfrega e desesperada por encontrar e se roçar com a minha, numa lascívia que parecia não ter fim. Foi então que tomei consciência de tudo o que estava acontecendo à minha volta.
Seu corpo parecia ter-me envolvido como uma concha a uma ostra. Já despidos, eu praticamente desaparecia no meio do seu abraço. Minha pele era acariciada por toda aquela pelagem farta e cheirosa, de textura macia que brotava de todo lugar. Me desvencilhei do seu abraço forte, e passei a explorar todo aquele corpo, acompanhado por seu olhar atento, nervoso e excitado. Eu estava indeciso como um glutão em frente à uma mesa de guloseimas. Não sabia se chupava seus mamilos rosados generosos, se beijava sua barriga peluda, se cheirava seu púbis farto, se abocanhava seu pênis que exibia uma ereção massiva... No final, acabei desfrutando de tudo, mas estacionei minha expedição bucal pelo seu corpo, no local que mais me excitava. Seu pênis literalmente pingava de tesão, que de tão intumescido, mantinha o prepúcio quase que completamente retraído, exibindo uma glande rosa-avermelhada que parecia nunca haver experimentado uma ereção como aquela. Nem se eu forçasse conseguiria colocar tudo aquilo na boca, mas eu fazia o possível. Ora sugava aquele instrumento grosso e inchado, ora descia e lambia vorazmente seu saco de pele abundante, que lhe conferia um volume extra, cobrindo seus testículos enormes. Mas grata surpresa foi ver Leonardo no auge da concupiscência abrir-se em flor pra mim e expor seu mais íntimo orifício, causando-me espasmos penianos dolorosos de excitação. Eu deitado de bruços sobre a metade inferior da minha cama, esfregava meu pau no colchão como se penetrasse a mais deliciosa bunda. Naquele momento, minha concentração se voltava toda para contemplar seu ânus rosáceo, com pregas tão bem desenhadas que davam vontade de olhá-las a tarde toda. Toda aquela visão se completava com sua pelagem negra que formava um sinuoso e elegante desenho centrífugo por toda a extensão da região glútea. Eu profanava o próprio Olimpo lambendo o cu de Apolo, que gemia a cada intrusão da minha língua pregas adentro. Cada vez que seu esfíncter anal relaxava, minha língua o penetrava sem dó enquanto meus lábios chupavam as bordas do seu ânus, fazendo-o se intumescer e se contrair, expulsando-me dali de dentro.  Enquanto era violado pela minha língua, Léo se masturbava e se contorcia de prazer a cada movimento meu. O que era silêncio, virou gemidos, que viraram grunhidos guturais, que voltavam a ser gemidos ainda mais altos. O tempo parou pra nos deixar amar um ao outro sem pressa. Eram meses de tensão acumulada e uma paixão recolhida tão dolorosamente que entrava em combustão naquele momento e incendiava nossos corpos, deixando-nos em brasa.
Léo de repente parou de se masturbar e me puxou pra cima, me fazendo deitar novamente sobre seu peito palpitante. Já mais cansados, voltamos a nos beijar, mas com uma sutileza que só muito carinho é capaz de produzir. Eu mantinha-me encaixado entre suas pernas abertas, e meu pau roçava os pêlos de seu períneo, às vezes tocando seu ânus. Eu estava indeciso se devia prosseguir com o que tinha em mente. Baixei minha mão esquerda até encontrar meu pênis e o guiei até seu orifício anal. Olhei-o fixamente nos olhos e ele deu o aval:
- Vai...
Seus pêlos atrapalhavam bastante a penetração, e ele percebeu minha dificuldade. Perguntou-se se eu tinha alguma coisa pra lubrificar. Lembrei que dentro do baú eu guardava um tubinho de gel íntimo. Mas fiquei com receio de abri-lo ali e provocar alguma reação negativa no Léo. Depois pensei: “Se já chegamos a esse ponto, não é uma cueca roubada que vai nos fazer voltar atrás.” E me virei até o criado-mudo, abri o baú, sempre sob o olhar atento do meu parceiro, que ao se deparar com seu conteúdo, faz uma cara de diversão, escândalo e surpresa. Soltou uma sonora gargalhada.
- Ahahahahah! Seu ladrão fino! Eu sabia!
Eu, sem graça, enrubesci. Mas respondi no mesmo tom de descontração:
- Era a única maneira possível de ter você...
Ele me puxou e me beijou, me dizendo que eu perdi tempo. Que ao invés de ficar com uma cueca suja, poderia ter ficado com o dono dela havia muito mais tempo. Era tão bom aquele sentimento, aquela intimidade e agora saber que não precisava mais esconder nada dele... Ele tomou o gel da minha mão, aplicou uma porção no meu pau, e gentilmente conduziu-o até seu ânus. E assim, mesmo com careta de dor, ele permitiu que eu aos poucos deslizasse pra dentro dele. Meu pau era acariciado pela maciez e calor do seu reto. Pouco a pouco fui ficando mais a vontade pra me movimentar, em estocadas firmes, mas carinhosas. Nossas bocas só se desgrudavam quando queriam explorar queixos, narizes, orelhas, pescoços e por fim voltar a se encontrar. Meu saco batia com vigor em sua bunda grande, que tornava o impacto dos nossos corpos mais leve.
A um dado momento, ele avisou que era a vez dele. Ele queria me penetrar. Obviamente eu estava com vontade, mas fiquei com medo por causa do tamanho do seu pênis. Mesmo assim, encarei corajosamente. Deixei-o deitado de costas do jeito em que estava, e sentei sobre ele. Apliquei gel em mim e nele e repeti o mesmo movimento que ele fizera antes: deixei seu pênis colado ao meu orifício anal e com calma fui descendo sobre ele. Bastou que a glande entrasse pra que eu entendesse o que era ser dilacerado por um pau daquele tamanho. Que dor filha da puta! Foi tão intensa, que eu preferi deitar sobre seu peito e esperar passar. Ele entendeu o que estava acontecendo, apesar de eu não ter soltado um “ai” sequer, e começou a acariciar minhas costas, vez ou outra me apertando contra si mesmo. Mais de um minuto se passou até que meu esfíncter entendesse que eu não iria voltar atrás e abrisse passagem pro Léo entrar. Eu me ergui e voltei a forçar meus quadris para baixo, deixando que seu pau me invadisse. Quem já foi penetrado sabe... A sensação de pressão que a glande foi exercendo na parede do reto, espremendo próstata, bexiga, e todos os órgãos adjacentes, gerava uma sensação a um primeiro momento incômoda, mas ao mesmo tempo tão prazerosa que me fazia arrepiar todo. Após descer completamente e introduzir todo o comprimento do seu pênis, pude perceber o quão profundo estava sendo tocado. E aquela sensação era diferente. Era um prazer que eu ainda não tinha provado, mesmo nos anos em que namorei o Emerson, meu primeiro namorado. Comecei a subir e descer numa cavalgada mais e mais vigorosa naquele pau imenso. Não havia mais dor, não havia mais medo, não havia mais vontades por serem saciadas. Estávamos nos reduzindo a dois bólidos em chama que se derretiam e se fundiam, tornando-se um só. Não demorou muito pra eu perceber a série se sensações que precedem o gozo. Não desviávamos o olhar um do outro. Eu me masturbava com uma vontade há muito não experimentada. Meu pau latejava e estava duro como nunca. Quando vi que o orgasmo era inevitável, tentei parar de me masturbar e parei com meus movimentos pélvicos. Mas Leonardo tomou as rédeas da situação, me pegou pela cintura, levantou-me um pouco, o suficiente pra ter espaço pra poder iniciar suas estocadas finais. E os impactos violentos de seu pau contra minha próstata me fizeram esguichar esperma longe, várias vezes. Seu rosto, cabelo, pescoço e tronco se inundaram com meu sêmen, fazendo com que ele acabasse por gozar abundantemente dentro de mim também. Deitei esgotado sobre seu peito empapado de esperma, me sentindo o mais realizado de todos os homens da face da Terra. Seu abraço e seu suspiro me disseram que ele se sentia igual.
Após nos recuperarmos do cansaço recente, levantamos e fomos tomar banho. Ali dentro do box, sob o jato forte e morno do chuveiro, realizei outro sonho antigo: ensaboar e explorar aquele corpo com minhas próprias mãos. Foi uma experiência tão erótica que nos provocou outra ereção, e acabamos nos masturbando juntos ali debaixo do chuveiro. Dessa vez o fiz gozar em minha boca, ajoelhado em sua frente enquanto o chupava. O gosto salobre de seu sêmen, que estava longe de parecer ruim, me fez gozar logo depois. E finalmente terminamos nosso banho. Comemos alguma coisa frugal, fomos pra sala, e deitados no tapete fomos trocar nossas impressões sobre tudo o que vinha acontecendo conosco havia muito tempo.
Ali se ergueram as fundações de um relacionamento sério e repleto de amor que dura até hoje. Por mais que eu pudesse supor, antes daquele dia, que houvesse algo mais por trás daquela capa de rapaz legal, Leonardo permaneceu incógnito pra mim durante muito tempo. Um mistério intrigante que estimulava minha imaginação e me fazia viajar longe em minhas elucubrações sobre quem era aquela pessoa. Depois daquele dia, conheci o homem Leonardo que certamente poucos tinham a honra de conhecer. Hoje, ele é o homem da minha vida, é o amigo de todas as horas, e é o meu escudo protetor, o meu refúgio. Nosso relacionamento já dura 10 anos. Durante esse tempo, muitas coisas importantes aconteceram em nossas vidas. Nossas famílias se conhecerem, nos formamos e nos lançamos no mercado de trabalho. Hoje vivemos bem, somos inteiramente independentes e formamos uma família muito feliz. Minha mãe se dá muito bem com ele, tendo-o como um filho. Os pais dele, que são pessoas esclarecidas, de bom nível cultural e intelectual, entendem e apoiam nossa união. Todo nosso círculo de amigos sabe de nós dois. E apenas algumas pessoas de convívio profissional e de menor contato é que não têm conhecimento. Acredito que revelar esse algo tão íntimo que muitos de nós escondemos, torna nossa vida mais fácil. Claro que sempre haverá um ou outro obstáculo que deverá ser superado: uma colega fofoqueira, um chefe preconceituoso. Mas quando nos damos ao respeito, quando vivemos nossa vida com dignidade e honradez, nos tornamos cada vez mais fortes.

sábado, 9 de outubro de 2010

Conto: "Naquele Ano de 1993"

"Naquela época, eu e Emerson já éramos muito amigos. Uma amizade que já durava 6 anos. Víamos nossos corpos mudarem, víamos nossos interesses mudarem também. Ele demonstrava interesse cada vez maior nas meninas; falava safadezas envolvendo suas fantasias com elas; ficava de pau duro na minha frente; pegava no pau por baixo do short enquanto delirava com suas histórias eróticas. Eu também me excitava. Não era por compartilhar da fantasia, que eu confesso que não dava a mínima e as ouvia por alto, mas era pela contemplação do seu tesão, do seu fogo em narrar as hipotéticas histórias envolvendo suas paquerinhas. O que eu sentia pelo Emerson era muito mais que amizade. Era uma mistura de carinho fraterno e tesão. Quanto mais os dias passavam, mais ardia em mim a vontade de fazer coisas com ele que eu mesmo nem sabia dizer ao certo o que eram. Mas desejava pegá-lo, palpá-lo, masturbá-lo; cheirar seu peito, suas axilas, seu pescoço, seu pau, seu saco e mais abaixo. Enquanto ele delirava contando suas histórias, eu delirava me imaginando no lugar das piriguetes que ele citava.
"Mas éramos muito unidos, como eu dizia. Fazíamos coisas juntos que - sem maldade, juro! - qualquer um diria que havia algo mais entre nós. Íamos à praia, e na volta, tomávamos banho juntos no meu quarto. Trocávamos de roupa um na frente do outro. Não tínhamos pudor. Era assim desde que nos conhecemos, ainda crianças. Dormíamos um na casa do outro. Ele gostava mais de dormir na minha casa, pois minha mãe era muito acolhedora. Meu pai falecera quando eu tinha 4 anos. Desde então, éramos eu e ela. Por isso, ela sempre preferia que meus amigos viessem para casa do que eu estar na casa deles. E pra tanto, ela criou o quarto que toda criança adoraria ter, com brinquedos, videogame, computador, TV, videocassete - na época, né - e etc. E apesar de eu ter outros amiguinhos, o Emerson sempre foi meu preferido. Quem é gay sabe do que eu tô falando: desde aquela época, eu já tinha por ele um sentimento que era diferente do que tinha pelos meus outros amigos. Eu gostava de tocá-lo. Eu percebia que com o Emerson havia uma reciprocidade naquilo. Ele mantinha contato físico comigo que ia além de brincar de briga, como crianças fazem. Se estivéssemos assistindo TV, ele deitava no meu colo. Às vezes, quando fazia frio, dormíamos na mesma cama, mesmo havendo duas camas no meu quarto. Sei que minha mãe já devia ter visto aquilo diversas vezes, mas crianças são assim mesmo, ela devia pensar. Não havia mesmo maldade.
"Entretanto, todo aquele contato me intoxicara de sensações, sentimentos e pensamentos que entraram em combustão na adolescência. Pra minha sorte, Emerson continuava sendo o mesmo Emerson carinhoso de sempre. Mantínhamos os mesmos hábitos de nossa infância. Ríamos das mudanças bizarras que iam acontecendo conosco sem um pingo de vergonha da nudez um do outro. E o calor do seu abraço ainda era o mesmo. E então, haviam as histórias fantásticas que ele contava. E ali extravasávamos nosso tesão. Foi com essas histórias que nos masturbamos juntos a primeira vez. Ele pôs o pau pra fora, duro - e assim eu ainda não tinha visto - e começou a se masturbar, dizendo que tinha visto um vídeo na casa de um primo em que o homem fazia aquele movimento com o pênis. Me incentivou a fazer o mesmo, e ali ficamos friccionando nossos pênis com nossas mãos. De primeira, não havia interesse em prosseguir naquilo por muito tempo. Até que um dia ele teve seu primeiro orgasmo. Já sabíamos o que era esperma, mas do pênis dele só saiu um líquido viscoso transparente. Meu primeiro orgasmo aconteceu na mesma noite, enquanto eu me masturbava olhando pra ele dormindo na cama ao lado. A partir dali, a masturbação passou a ser uma atividade mútua sistemática. Mas não nos tocávamos. Curtíamos apenas o ato solitário compartilhado um com o outro. Ele com seus devaneios, às vezes olhando as revistas de putaria que o primo safado emprestava pra ele, e eu olhando fixo pro seu pênis, que crescia a cada dia, ficando realmente muito bonito. Da noite do primeiro orgasmo, transcorreram-se alguns meses em que percebi um certo afastamento do Emerson. Seu interesse particular por uma garota do colégio em que estudávamos nos afastou um pouco. Ele fazia de tudo pra ir falar com ela no recreio - ela estudava em outra turma. Pagava lanche pra ela, e eu percebia que da parte dela havia um parco interesse. Mas ele, apaixonado como estava, não enxergava. Só tinha olhos pra Camila. Experimentei uma gradativa e dolorosa solidão. Os finais de semana sozinho no meu quarto ficavam cada vez mais longos e cinzentos. Minha mãe percebia meu desalento. Me acolhia talvez sabendo que algo acontecia comigo, porque eu era diferente dos outros meninos. Não precisava dar uma palavra. Seu colo era tudo de que eu precisava.
"Foi em novembro daquele ano, que algo imprevisível ocorreu. Emerson ligou pra mim depois de uns 10 dias sem contato - antes nosso contato era diário. Perguntou o que eu tava fazendo, perguntou se podia vir aqui em casa. Depois de umas duas horas ele veio. Aqui em casa, já fazia no mínimo umas 3 semanas que ele não aparecia, e da última vez esteve praticamente só de passagem. Dormir aqui? Tinha sido em Agosto! Eu o recebi calorosamente, dizendo claramente a ele que estava com saudades. Me emocionei quando ele disse que também tinha saudades. Eu o percebi muito abatido, de olhos vermelhos e inchados. Ele tinha chorado muito. Ao chegarmos ao quarto, ele sentou na cama que era "a dele", e eu na minha. Ao que perguntei o que houve, ele se atirou na minha direção chorando, deitando a cabeça no meu colo. Só pude afagá-lo e esperar que se recompusesse. Foi quando mais uma vez perguntei o que acontecia e ele explicou que ele e Camila já vinham ficando havia algum tempo. Mas que misteriosamente a família dela resolveu mudar de cidade. Não havia explicação, não vazava nenhuma informação. Camila foi proibida de falar com ele, e em 6 dias eles foram embora da cidade - naquele mesmo sábado de chuva. Eles não chegaram a se despedir. Doeu como se fosse em mim. Imaginei de repente Emerson indo embora pra outro lugar sem se despedir de mim, e tive vontade de chorar também. Sim, eu podia imaginar o que ele estava sentindo. Mesmo que corroído pelo ciúme, eu o amava mais, e por isso fui solidário com sua dor. Tentei durante a noite alegrá-lo. Mas nada lhe tirava um sorrisinho que fosse. Então achei melhor deixar pra lá. Fiquei deitado na minha cama, com ele a meu lado. Não falávamos uma palavra. Às vezes ele contava alguma situação vivida entre ele e Camila. Eu me perguntava se eles chegaram a transar, mas não tinha coragem de lhe perguntar aquilo.
"O sono chegou, e como estava frio, e ele muito triste, não me importei que dormisse comigo. O edredom era grande pra nós dois. Virei pra parede e sentia minhas costas em contato com seu braço gelado. No meio das minhas fantasias eróticas, fiquei de pau duro mas fui vencido pelo sono. Devo ter cochilado alguns minutos, quando senti Emerson mudar de posição. Dessa vez senti seu braço me envolvendo. Ele me abraçou e colou seu tórax nas minhas costas. A sensação de aconchego naquela posição de conchinha foi gratificante, principalmente por causa do frio. Estávamos os dois de short de dormir e não usávamos cueca nenhum dos dois. Eu o ouvi sussurrar que eu era o melhor amigo que ele tinha. Me deu um nó na garganta, mas fiquei quieto. Achei que ele pudesse estar pensando que eu estava dormindo. De fato eu estava com sono, mas meu coração palpitava com aquele contato tão íntimo. Eu antes nunca vira maldade naquela posição em que dormimos tantas vezes, mas daquela vez minha mente suja pecava horrorosamente, eheheh... Mesmo assim, eu estava uma pedra, e tentando controlar minha respiração que insistia em ficar ofegante. Me concentrei no contato com o corpo do Emerson. Seu coração palpitava. O que será que estaria provocando aquilo? Alguns minutos se passaram e sua mão em volta de mim, passou a alisar minha barriga. Ele se mexeu pra mais próximo, colando dessa vez seus quadris nos meus. Caralho, como o pau dele tava duro! Meu coração tava quase saindo pela boca. Tava muito complicado respirar com controle. Eu sentia vez ou outra os espasmos do pênis dele contra minhas nádegas. Estávamos separados por duas camadas finas de tecido, eu pensava... E esses pensamentos só pioravam as coisas. Meu pau já tinha ensopado meu short e ele não parava de alisar os pelinhos da minha barriga, subindo até meus mamilos. Eu sentia a respiração forte dele na minha nuca.
"O safado começou a fazer movimentos de vai-e-vem muito lentos e suaves, pressionando o pau contra minha bunda ainda mais. Ele tinha tomado uma dimensão que eu nem imaginara. Ele criou coragem e levantou cuidadosamente a mão que me acariciava, e pegou na lateral do meu quadril. Sutilmente deslizou para baixo, palpando meu traseiro. Como eu não manifestava reação, percebi que ele mexeu em algo nele mesmo, e depois tentou baixar meu short. Como não conseguiu, voltou à mesma posição, esfregando mais uma vez o pau na minha bunda. Dessa vez tive certeza que ele havia tirado pra fora do calção. Ele começava a transpirar, e embaixo do edredom, onde antes estava frio, começara a fazer um calor filho da puta. Meu corpo ardia também. Não sei se ele ainda acreditava que eu estivesse dormindo. Só sei que não aguentei mais e lentamente repousei minha mão esquerda, que estava livre, em cima do meu quadril esquerdo e baixei meu calção. Eu morri de medo que ele descobrisse que eu estava acordado e parasse. Mas não. Facilitei as coisas. Estávamos conscientes do que estava acontecendo. Estávamos acordados e sabíamos o que queríamos daquele momento. Agora era só pele! O pau dele mais quente ainda do que seu corpo, se é que era possível, escorregava no meu rego sem pêlos, lubrificado pelo nosso suor e pelo líquido seminal que vertia abundantemente a cada esfolada que a glande intumescida dava através do seu prepúcio. Emerson, num gesto de curiosidade, voltou a me abraçar e deslizou a mão até meu pau. Quando ao tocar, sentiu-o duro como pedra e todo babado também, respondeu apertando o corpo ainda mais contra o meu. Sua respiração era forte na minha nuca. Não falávamos uma palavra sequer, pois a cumplicidade tagarelava sozinha. Naquela dança de vai e vem, depois de tanta lubrificação natural debaixo da sauna que tinha se transformado o espaço abaixo do nosso edredom, Emerson pegou o próprio pau e tateou meu ânus. Após localizá-lo, colocou sua glande em contato com ele. Esfregava com carinho sua borda, me fazendo querer morrer de tanto tesão. Minha mão esquerda, que minutos atrás estava ociosa, agora cuidava de envolver meu pênis com vigor. Eu batia uma punheta calma, mas deliciosa com aquele estímulo que recebia atrás. Emerson tentou numa primeira vez me penetrar, mas mesmo com todo aquele lubrificante natural, estava difícil. Senti uma dor desgraçada quando aquela cabeçona atravessou meu orifício anal e deixei escapar um gemido muito baixo. Ele percebeu e parou. Ficou ali parado, com a cabeça do seu pau dentro do meu reto enquanto eu me recuperava. Ele podia sentir a contração de dor que oferecia resistência ao seu pau, apertando-o forte. Voltou a me abraçar, e envolvido naquele carinho todo, aos poucos fui relaxando, e o que aconteceu depois foi uma sequência natural a tudo o que veio antes. Seu pênis deslizou pra dentro do meu reto que o recebia úmido, quente e macio de uma maneira que eu no fundo sabia que ele jamais voltaria a provar com outra pessoa. Acho que a sensação foi tão boa pra ele, que demorou a começar a socar. Queria aproveitar cada segundo dentro de mim. Eu me masturbava com cuidado porque sabia que estava a um passo de gozar. As estocadas começaram suaves, e foram se intensificando até que ele parou e gemeu no meu ouvido. Ele gozara. Gozei imediatamente após, mirando contra a parede e tentando ao máximo proteger com a outra mão que caísse esperma no lençol da cama. Estávamos num êxtase tão profundo que ele nem tirou o pau de dentro de mim. Só após alguns minutos seu pênis perdeu volume com a flacidez e foi expulso do meu reto.
"Ficamos ali, ensopados de suor, incapazes de nos mexermos, esperando nossa respiração normalizar e nossos corações se recuperarem. Eu queria ficar um pouco mais curtindo o momento, mas minhas mãos estavam meladas, e eu precisava ir ao banheiro. Criei coragem e saí daquela fornalha e fui em direção ao banheiro do meu quarto. Aproveitei e tomei um banho. Enquanto a água escorria pelo meu corpo realizado, minha cabeça estava a mil. O que seria da gente depois daquilo? Ao sair do banheiro, Emerson já estava esperando na beira da cama, já de short. Levantou e entrou no banheiro sem olhar pra mim. Fiquei super mal e deitei na cama com lágrimas nos olhos. Sabia que ele sairia do banheiro e deitaria em sua cama sem falar comigo. Fiquei ali, de cara pra parede perdido em pensamentos, já arrependido em ter manchado a amizade com minutos de prazer. Mas ao sair do banheiro, foi pra minha cama que ele veio, deitou e me abraçou. Falou baixinho próximo ao meu ouvido: "Você é o melhor amigo que alguém pode ter." E aquelas palavras me encheram de alívio. Eu não sabia exatamente o que significavam, mas ao menos serviram pra me mostrar que nada mudara. E assim abraçados, finalmente dormimos. No dia seguinte, acordamos quase juntos. Reatamos a nossa rotina de final de semana: jogamos videogame, assistimos TV, almoçamos, e no fim da tarde saímos ao encontro de outros amigos.
"Muitas outras noites como aquela se sucederam. Meses depois, já completamente despidos de qualquer culpa ou pudor, explorávamos o corpo um do outro com naturalidade e cumplicidade. E os anos que se seguiram nos foram repletos de experiências mútuas. Fomos o grande acontecimento da vida um do outro naquela época. Mas era natural que uma hora as pulsões heterossexuais do Emerson voltariam a clamar por serem saciadas. Ao mesmo tempo, eu necessitava de outras experiências, e o afastamento dessa vez foi compreensível e consensual. Enfim, o que antes chegou a ser rotina, tornou-se lembranças, memórias secretas no íntimo meu e dele, de que jamais voltamos a conversar. Hoje continuamos melhores amigos. Sou padrinho da filha mais velha dele, e ele é uma presença constante na minha vida. Meu namorado o adora. Mesmo assim, vez ou outra, nos momentos de solidão, ou antes de dormir, meus pensamentos viajam no tempo e revivem o que aconteceu naquele ano de 1993."